Brasília, Quarta-Feira, 15 de Agosto de 2018

Poder e Saúde

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CSSF - Oftalmologistas criticam modelo de pagamento por pacotes de consultas

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Oftalmologistas criticam modelo de pagamento por pacotes de consultas.

 
Durante a audincia desta tera-feira (12) da Comisso de Seguridade Social e Famlia, o modelo de pagamento aos mdicos dos planos de sade por pacotes de consultas foi criticado por oftalmologistas. O representante da Federao das Cooperativas Estaduais de Servios Administrativos em Oftalmologia (FecooEso), Frederico Penna, disse que esse sistema representa uma ameaa qualidade de prestao de servios.
 
A imposio dos pacotes altamente arriscada para a sade ocular da populao. Ao reduzir em 2/3 os valores dos honorrios, a medida inviabiliza a manuteno dos equipamentos instalados e elimina qualquer possibilidade de reinvestimento para atualizao dos recursos tecnolgicos. E gera o risco do prmio por no fazer efeito colateral malfico j rejeitado pelos pacientes nos Estados Unidos, alertou.

Segundo ele, a reduo de custos para as empresas de planos de sade, possibilitada pelo novo modelo, causar a degradao da qualidade da assistncia mdica. No realizar exames que permitem diagnsticos precoces pode significar a perda da viso de um paciente. A auditoria mdica especializada seria o melhor meio de evitar desperdcios, ponderou.

Penna disse que os honorrios mdicos vm acumulando uma defasagem histrica, enquanto os lucros das operadoras de planos de sade tm crescido.

Pessoas e nmeros
O presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Jos Augusto Alves Ottaiano, ressaltou que a sade da populao mais importante do que os dados econmicos. Ns, mdicos, estamos sendo cada vez mais empacotados. A nica coisa em que ainda no conseguiram tutelar o mdico a prerrogativa de solicitar exames para aprofundar a investigao, afirmou.

Segundo ele, a adoo dos pacotes de consultas no uma postura inteligente, pois os pacientes que forem prejudicados pela queda na qualidade dos atendimentos no conseguiro resolver os seus problemas de sade e geraro mais gastos.

No a classe mdica que tem de pagar a conta. Ns gostaramos de dilogo, mas a nossa negociao hoje com as operadoras desequilibrada. o grando contra o pequenininho e vivemos sob ameaa. Ou cumpre, ou rua. assim que funciona, lamentou Alves.

Srgio Fernandes, do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), tambm argumentou que as questes de sade no podem ser abordadas apenas do ponto de vista econmico. Ns ficamos preocupados quando o foco deixa de ser o paciente para ser o dinheiro. No queremos a implantao de um modelo vindo do exterior para os mdicos e pacientes brasileiros. Precisamos ter a nossa frmula, salientou.