Brasília, Quarta-Feira, 17 de Outubro de 2018

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CSSF - Oftalmologistas criticam modelo de pagamento por “pacotes de consultas

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Oftalmologistas criticam modelo de pagamento por “pacotes de consultas”.

 
Durante a audiência desta terça-feira (12) da Comissão de Seguridade Social e Família, o modelo de pagamento aos médicos dos planos de saúde por “pacotes de consultas” foi criticado por oftalmologistas. O representante da Federação das Cooperativas Estaduais de Serviços Administrativos em Oftalmologia (FecooEso), Frederico Penna, disse que esse sistema representa uma ameaça à qualidade de prestação de serviços.
 
“A imposição dos pacotes é altamente arriscada para a saúde ocular da população. Ao reduzir em 2/3 os valores dos honorários, a medida inviabiliza a manutenção dos equipamentos instalados e elimina qualquer possibilidade de reinvestimento para atualização dos recursos tecnológicos. E gera o risco do prêmio por não fazer — efeito colateral maléfico já rejeitado pelos pacientes nos Estados Unidos”, alertou.

Segundo ele, a redução de custos para as empresas de planos de saúde, possibilitada pelo novo modelo, causará a degradação da qualidade da assistência médica. “Não realizar exames que permitem diagnósticos precoces pode significar a perda da visão de um paciente. A auditoria médica especializada seria o melhor meio de evitar desperdícios”, ponderou.

Penna disse que os honorários médicos vêm acumulando uma defasagem histórica, enquanto os lucros das operadoras de planos de saúde têm crescido.

Pessoas e números
O presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, José Augusto Alves Ottaiano, ressaltou que a saúde da população é mais importante do que os dados econômicos. “Nós, médicos, estamos sendo cada vez mais empacotados. A única coisa em que ainda não conseguiram tutelar o médico é a prerrogativa de solicitar exames para aprofundar a investigação”, afirmou.

Segundo ele, a adoção dos pacotes de consultas não é uma postura inteligente, pois os pacientes que forem prejudicados pela queda na qualidade dos atendimentos não conseguirão resolver os seus problemas de saúde e gerarão mais gastos.

“Não é a classe médica que tem de pagar a conta. Nós gostaríamos de diálogo, mas a nossa negociação hoje com as operadoras é desequilibrada. É o grandão contra o pequenininho e vivemos sob ameaça. Ou cumpre, ou rua. É assim que funciona”, lamentou Alves.

Sérgio Fernandes, do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), também argumentou que as questões de saúde não podem ser abordadas apenas do ponto de vista econômico. “Nós ficamos preocupados quando o foco deixa de ser o paciente para ser o dinheiro. Não queremos a implantação de um modelo vindo do exterior para os médicos e pacientes brasileiros. Precisamos ter a nossa fórmula”, salientou.